As férias terminaram. A caixa de e-mails está a transbordar, as reuniões acumulam-se e a sensação de descanso evapora-se ao primeiro toque no teclado. Parece familiar? O regresso ao trabalho pode ser um momento de grande stress e não é preciso fingir que não acontece.
Contudo, será que tem de ser assim? Será inevitável que voltar à rotina signifique perder a paz conquistada nas férias? A resposta é não. E é precisamente aqui que entram algumas estratégias simples, mas poderosas, para reduzir a pressão e recuperar o equilíbrio.
Porque é que o regresso ao trabalho pesa tanto?
O problema não é só o trabalho. É a mudança brusca de ritmo. Passamos de dias de descanso, sol e tempo livre, para semanas de prazos, trânsito e horários apertados. O corpo ressente-se. A mente resiste. E o stress instala-se.
Leia também o artigo de opinião do Fundador e Membro Executivo do Fórum Saúde XXI, Pedro Serra Pinto, Quando o trabalho faz mal à saúde.
Estudos mostram que este fenómeno, conhecido como síndrome pós-férias, afeta milhares de pessoas e pode durar várias semanas. Irritabilidade, dificuldade de concentração, cansaço e insónia são apenas alguns dos sinais. Então, como transformar este regresso num recomeço mais saudável?
Não mergulhe de cabeça: regresse devagar
Quem disse que precisa de voltar a 200 km/h logo no primeiro dia? Uma das grandes fontes de ansiedade é tentar resolver tudo de uma só vez.
- Priorize tarefas.
- Respeite o seu ritmo.
- E aceite: não vai conseguir limpar a caixa de e-mails de um mês em 24 horas.
Planeie, mas com realismo
Planeamento não é sinónimo de sobrecarga. Criar uma lista interminável de tarefas só aumenta o stress. Aposte em metas realistas: três prioridades por dia são mais eficazes do que vinte impossíveis. Lembre-se: produtividade não é quantidade, é qualidade.
Preserve o que aprendeu nas férias
Nas férias lê, passeia, dorme bem e cuida de si. E depois? Esquece tudo assim que regressa? A provocação é esta: se consegue praticar hábitos saudáveis de descanso e lazer em agosto, porque não em setembro, outubro ou novembro? Manter pequenas rotinas de autocuidado, como caminhar, desligar o telemóvel à noite ou reservar tempo para um hobby, pode ser a chave para prolongar a sensação de bem-estar.
Cuide do corpo para acalmar a mente
Não há como fugir: corpo e mente estão ligados. O stress instala-se mais depressa quando o corpo está esgotado.
- Durma 7 a 8 horas por noite.
- Hidrate-se e evite o excesso de cafeína.
- Pratique atividade física regular, mesmo que sejam 20 minutos de caminhada.
Pode parecer óbvio, mas a verdade é que muitos ignoram estas bases. Depois perguntam-se porque sentem a ansiedade a subir.
Converse, não acumule
Muitas vezes o stress cresce porque é vivido em silêncio. Se sente pressão, fale com colegas ou líderes. Partilhar preocupações pode aliviar mais do que pensa. E lembre-se: pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é sinal de inteligência emocional.
Redefina a forma como olha para o trabalho
Provocação final: o problema é o trabalho… ou a forma como olha para ele? Se encara cada dia como uma guerra, o stress vence sempre. Se procura propósito, aprende a dizer não e celebra pequenas vitórias, o trabalho pode ser uma fonte de realização em vez de ansiedade.
Transforme o regresso em oportunidade
O regresso ao trabalho não tem de ser sinónimo de stress e ansiedade. Pode ser um momento de redefinir prioridades, criar novos hábitos e encontrar formas mais saudáveis de encarar a rotina. Lembre-se de que não é possível eliminar totalmente a pressão, mas é possível aprender a gerir o que controla e a relativizar o que escapa ao seu alcance. Se o stress e a ansiedade se tornam constantes, não ignore: procure ajuda profissional. A saúde mental merece o mesmo cuidado que a física.
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