Educação e prevenção para a saúde: Pilar fundamental para a sustentabilidade do sistema de saúde

Educação e prevenção para a saúde: Pilar fundamental para a sustentabilidade do sistema de saúde

Paulo Cleto Duarte

A educação e prevenção são áreas de intervenção fundamentais para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde, bem como a melhoria do estado de saúde da população. É, no entanto, uma área da saúde que tem sido colocada em segundo plano, particularmente em contexto de crise económica e austeridade, pois os efeitos das medidas tomadas nesta área são apenas visíveis a longo prazo.

É reconhecido por todos os intervenientes na área da saúde, decisores políticos, parceiros económicos, profissionais de saúde e sociedade civil que a educação e prevenção são fundamentais para o futuro da Saúde em Portugal.
Aliás, a prevenção é uma das áreas críticas para a sustentabilidade do nosso sistema de saúde identificada pelo relatório “Um futuro para a Saúde” da Fundação Calouste Gulbenkian.

Também no âmbito do processo de governação fiscal da União Europeia, a Comissão Europeia identifica a prevenção e promoção da saúde como áreas de intervenção necessárias à sustentabilidade a longo prazo do sistema de saúde português.

Há assim um claro alinhamento político, económico e social, no sentido de se investir na prevenção e promoção da Saúde. É, claramente, um dos pilares fundamentais para a sustentabilidade do sistema, mas também para mais e melhor Saúde para os cidadãos portugueses.

Deve, assim, ser privilegiado o desenvolvimento de estratégias globais nesta área, que levem a uma articulação e mobilização de várias áreas da sociedade portuguesa, desde as instituições governamentais, ao poder autárquico, envolvendo profissionais de saúde e estruturas próximas da comunidade de várias valências, tais como cuidados de saúde primários, farmácias, centros de apoio social e escolas.

A proximidade às populações é fundamental para que um programa estruturado de prevenção e promoção da saúde seja eficaz, visto que a capacitação dos cidadãos para a Saúde é uma das áreas de intervenção crítica.
O investimento na prestação de serviços no âmbito da Saúde Pública terá, necessariamente, de estar associado a um programa estruturado de Educação e Literacia em Saúde. É, assim, uma área que extravasa o domínio do sector da Saúde, em alinhamento com a perspectiva de Saúde em Todas as Políticas.

A integração nas comunidades locais permite que as farmácias possam representar, nesta área, um papel muito relevante, em colaboração com os cuidados primários de saúde, bem como com outras estruturas locais, tais como o poder local e as escolas. São vários os exemplos pelo país, de acções locais implementadas pelas farmácias, em parcerias com outros organismos da comunidade, com vista a promoverem uma maior literacia dos cidadãos, promovendo hábitos de vida saudáveis, a adesão ao medicamento, a capacitação para gerirem a sua própria saúde.

As farmácias e os farmacêuticos podem, dessa forma, ajudar na melhoria da qualidade de vida e da saúde das populações, actuando ao nível da prevenção, promoção e educação para a saúde. A prestação de serviços pelas farmácias, bem como o seu relacionamento com o Serviço Nacional de Saúde tem evoluído nesse sentido. Nos últimos anos, foram implementados e devidamente enquadrados a nível regulamentar serviços no âmbito da Saúde Pública, como é exemplo o serviço de vacinação contra a gripe, disponível nas farmácias desde 2008 e cujos resultados demonstram o sucesso em termos de acesso e cobertura vacinal, bem como a elevada satisfação da população.

Um novo caminho está a ser traçado, no sentido de uma maior interligação entre cuidados de saúde e cooperação interprofissional. Para isso tem sido fundamental o trabalho desenvolvido a nível local pelas Unidades de Saúde Familiares e farmácias, no sentido de implementação de um modelo colaborativo de intervenção em Saúde Pública.
A sociedade portuguesa e o sistema de saúde enfrentam desafios não só de sustentabilidade económica, mas também de melhoria de qualidade de vida e do estado de saúde da população. Só criando sinergias e modelos que permitam o desenvolvimento e implementação de um programa estruturado na área da Educação, prevenção e promoção da saúde, com a intervenção de várias áreas da sociedade, será possível alcançar um Futuro sustentável para a Saúde.

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